16 junho 2006

Quatro Elementos




A Terra e a Água
Até conhecer você, fui apenas água.
Espraiado, inundante, fluido.
Que desespero!
Ao me ver contido em tuas margens,
julguei-me enclausurado.
Levou tempo, até que eu me desse conta,
que era em teu colo firme, que eu,
líquido, repousava.
Recuperando a força, reencontrando o rumo.
Bendita sejas, terra!
Que na aparente dureza
da cova aberta em teu seio,
me aconchegaste, me conduziste.
Pela firme compressão dos teus flancos
me percebi mais livre, ganhando velocidade,
gerando energia e sabendo
em que direção ela manava.

O Fogo e o Ar
Teria sido apenas um lampejo,
consumido da energia de mim mesmo.
não fosse o sopro,
o invisível berço,
que me tomou de sobressalto.
Estranho!
Que combustível este,
a me aumentar as formas.
me propagando ao ponto,
onde mais nada houvesse,
que o meu calor não alcançasse?
Terias sido tú, o silenciar daquilo.
que repousa no éter!
Teria sido eu apenas um forno,
que não conheceu o pão da alma.
Nada serias, além de sopro frio e sem guia.
Nada eu seria além de luz que brilha.
Nem haveriam idéias
Tampouco a vontade de tê-las.

Nenhum comentário:

Frequências

jornal web Farol Comunitário

Pode acreditar

Tudo vale a pena se a alma não é pequena - Fernando Pessoa