10 agosto 2016

Visão romântica da vida ou má fé é o que te move?

Olho para alguns que conheço, enfiando o pé numa empreitada, com discurso de 'mudança', com 'vou fazer a minha parte', num ufanismo provinciano, quiçá infantil e me pergunto:  - Visão romântica da vida ou má fé é o que te move?

O grande Quino, traduziu tudo isso em 6 frames
Tempos atrás presenciei o estarrecimento de uma outra certa pessoa, coroado com a frase -  "Se soubesse o tamanho da sujeira, jamais teria entrado" adornada com olhos assustados e pele pálida de puro pavor e no entanto, está lá a tal pessoa, tentando novamente preservar o status quo. 

Se tua vontade sincera é promover transformação, lembro que aqui fora há muitas frentes, questões profundas e sem solução imediata, exatamente por causa de 'outros' que chegaram onde vocês querem chegar ou permanecer e descobriram que nada pode ser feito dentro do que hoje vigora. 

E no meu entendimento a maior de todas as transformações é interior.

O povo nunca esteve no foco da República, como também nunca foi o foco do Império. A disputa no Brasil sempre foi para pertencer à elite, qualquer elite. E o povo que se lasque. 

Está acontecendo de novo.

Não preciso, sinceramente, desse teu espírito de desprendimento. Parece-me mais, vazio existencial, visão míope da realidade, egoísmo em seu estado mais puro.

Cabe um Brasil nessa passagem: 

"Nem se põe vinho novo em odres velhos; de outro modo arrebentam os odres, e derrama-se o vinho, e estragam-se os odres. Mas vinho novo é posto em odres novos, e ambos se conservam." (Mateus 9:14-17)

26 abril 2016

O mundo se liquefaz e não tem mais volta

O século 20 acabou e junto com ele os 19 séculos anteriores, um a continuação do outro. 

O século 21 não é a continuação, é outra coisa, que não pode ser encarada com nenhuma ferramenta que já conhecemos. Elas são feitas na hora, não tem linha de montagem, nem livro de regras, nem estoque. 

Em resumo, o século 21 é líquido, é quântico e o que ficou para trás é sólido e analógico.


Então pensa, qual resultado você espera obter no século 21, comportando-se com qualquer paradigma do 20?

A evolução tecnológica é apocalíptica. Vai jogar tudo fora do jeito como conhecemos hoje. E é antropófaga. Vai devorar-se cada vez mais rápido. Não tem volta.

A visão materialista e industrial, que reinou por séculos, vai desmoronando diante dos olhos de todos e pouca gente já percebeu.

Não há teoria ou tradição que se sustente, não há fórmula consagrada. O mundo em que todos estamos se liquefaz.


A discussão é sobre forma e conteúdo, onde a primeira definitivamente desaparece e a segunda incorpora em outras, sem levar mais em conta a rigidez dos limites que foram impostos pelo modelo atual.


Mesmo nas diversas partes do planeta em que o ser humano ainda funciona como em eras passadas, essa liquefação vai acontecer e vai pular o estágio pelo qual a nossa cultura ocidental e urbana passou.

Sempre foi assim, o mundo sempre viveu seus momentos de quebra de paradigma com espaços bem longos entre um modelo e outro e que foram diminuindo, na medida em que a tecnologia se aprimorou.

Mais do que mudanças profundas nas profissões, o próprio trabalho vai mudar de cara muito rápido. A forma está desaparecendo e é assim que se aprimora o conteúdo.

Não se trata de fim do mundo, mas do fim dos modelos, todos de uma vez. A capitulação dá a impressão de acontecer em partes como no passado e isso se dá especificamente por estarmos acostumados a não ligar os pontos, a insistir numa lógica linear.

É o caso de se reconsiderar aquilo que do ponto de vista físico, chamamos de matéria e por extensão, o que cria a "realidade".

Abandone os modelos duros. Abstraia.


Temos um neocortex, não há monstros, reaja menos, observe que o que está ao seu redor não é exatamente o que parece, somos Homo sapiens sapiens, já não há o que justifique um comportamento crocodiliano de pura defesa de território, sem nem mesmo saber o que nos rodeia.

Estamos todos interligados, somos a mesma energia, individuada. Não existe a separação, nem o lado de fora, nem o lado de dentro, é tudo a mesma coisa operando em frequências diferentes.

As condições de eras passadas que forçavam as criaturas a um nomadismo permanente em busca de segurança, alimento, a sobrevivência, não existem mais. O nomadismo consciente, viaja para a autoconsciência, a mudança é interior.

Transformar a figura do deus pedagógico para a consciência do poder infinito que habita em todas as coisas.

É que todo tudo, nasce sempre de um nada. O nada é o instante anterior, o tudo logo em seguida e no meio disso estamos nós e nada nos separa. E isso é o motor que movimenta o Universo.

A piada do mistério é que aquilo que procuramos, somos nós mesmos.

Frequências

jornal web Farol Comunitário

Pode acreditar

Tudo vale a pena se a alma não é pequena - Fernando Pessoa