16 maio 2006

A Dança




Não hei de explicar o que caminha, nos caminhos que passeiam.
Sob a sola dos meus sapatos.
Nem explicar o prazer que me invade
Se o explicasse não seria prazeroso.

Há certos ventos que sopram no meu rosto.
Moldando a inspiração que a alma verte.
Venta porque se agitam teus cabelos.

Como o recém-nascido, sugo o leite.
Não vou me ater a ele ou ao ato de sugá-lo.
Quero o prazer de ali, sabê-lo.

O fino fio de água que brota da rocha,
Há de chegar ao mar de algum jeito.

Um rosto fugidio na multidão,
Pode inspirar o artista para sempre.
A musa já não é mais ela,
Mas a energia que brotou de sua passagem.

As cores da paleta buscam os pincéis,
Como as palavras escorrem da caneta.
Inanimados objetos que se fundem
Na tela e no papel deixando rastros.

E se eu falasse só de ti,
Não te veria senão por um momento.
E se eu te ouvisse, só a ti.
Não te respiraria mais que um hausto.

Mas se te sentisse em cada folha de grama,
Em cada raio de sol, em cada grão de areia.
Ali estarias tu, como a me sorrir a cada instante.

E dessa dança, dos rodopios coloridos,
Brotariam estrelas e planetas.
Pois o Universo é uma dança que nunca se interrompe.

A poeira dos astros há de se encontrar e criar vida.
Como essa mesma vida há de se perder aos olhos pífios.
E então, poeira, há de girar nesse bailado infindo.

Por onde passa não se cansa, respiração infinita,
Razão primeira e última de tudo o que vejo ou não vejo,
De tudo que é, de tudo que eu não sei que sou.
Sem se perder jamais, sem se colocar limites.

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